Quase 260.000 pessoas retiradas de casa devido aos incêndios em Espanha e França

Quase 260.000 pessoas retiradas de casa devido aos incêndios em Espanha e França

O avanço das chamas obrigou já à retirada de pelo menos 167.000 pessoas em Girona, França, com 32.700 hectares destruídos até agora. Em Landes, mais a sul, foram retiradas mais 31.000 pessoas, tendo ardido 3.500 hectares. Em Espanha, os incêndios de Madrid e de Ávila levaram as autoridades a retirar 60.000 pessoas, com outras 28.000 confinadas em casa.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Avião larga calda retardante sobre a floresta em Arc-sur-Argen, França Foto: Manon Cruz - Reuters

A cidade de Bordéus é o centro de todas as preocupações em França, com o incêndio de Girona a lavrar ao fim da tarde a 30 quilómetros da zona metropolitana da cidade. Nas primeiras horas de sábado, foram retiradas por precaução quase 60.000 pessoas, de oito municípios a ocidente de Bordéus, incluindo parte de Mérignac, onde se situa o aeroporto.

Num balanço a meio da tarde, a presidente da Câmara, Sophie Brocas, referiu que o incêndio, que sexta-feira era uma "tempestade de fogo", um fenómeno inédito em França, abrandou e tornou-se mais normal. Mas a situação continua crítica.

"Estamos numa situação que continua grave, mas que perdeu parte da sua virulência. O fogo mudou de direção de manhã, o que obrigou os bombeiros a defender a cidade de Sainte-Hélène, mas também Lacanau", explicou.

"O fogo voltou a deslocar-se em direção à área metropolitana de Bordéus ao final do dia", acrescentou. "A ameaça continua a ser grave, esta noite; não podemos baixar a guarda".

"As pessoas não devem regressar às suas casas", insistiu a autarca, depois de ter ordenado a evacuação de um total de 167 mil pessoas desde quarta-feira. "Vamos dar luz verde, vamos fazê-lo o mais rápido possível, mas não é o caso hoje", afirmou.

Marc Vermeulen, chefe do corpo de bombeiros de Gironde, mostrou-se um pouco mais otimista. Se o tempo se mantiver favorável, a noite deverá ser "propícia para o trabalho", afirmou, citado pelo Le Monde.
Três mil regressam a casa 

Em Landes, a situação "crítica" abrandou ligeiramente mas "estamos muito longe de ter a situação sob controlo", afirmou o prefeito, Gilles Clavreul, referindo que as projeções do fogo inicial estão a atear focos a centenas de metros.

Apesar disso, 3.000 pessoas foram autorizadas a regressar às suas casas no sábado, a partir das 20h00, em Biscarrosse, em zonas que foram "completamente estabilizadas", anunciou Clavreul ao início da noite.

Este regresso deverá ser possível mesmo que o incêndio ainda não esteja controlado na região, acrescentou o autarca.


Um avião A400M, com capacidade de largar 20 toneladas de calda retardante ou de água, já foi utilizado durante a tarde de sábado, numa experiência decidida pelo Ministério da Defesa e as Forças Armadas francesas, para reforçar a capacidade do país no combate aos incêndios florestais. 

Os incêndios afetaram também o Tour de França, com a etapa final em Paris, domingo, a ser encurtada para não sobrecarregar as forças de segurança, referiu a organização.

“Vamos reconstruir, vamos reparar e estaremos aqui o tempo que for necessário”, prometeu entretanto o primeiro-ministro Emmanuel Macron. “Vamos reconstruir, vamos reparar e estaremos aqui o tempo que for necessário”, declarou este sábado, através da sua conta nas redes sociais.

“Nestas alturas em que as chamas testam severamente o nosso país, a França revela o seu verdadeiro carácter: um povo unido, ombro a ombro”, acrescentou o presidente, após a evacuação de aproximadamente 200 mil pessoas no sudoeste de França.
Espanha. Quase 90.000 pessoas afetadas

O avanço das chamas obrigou ao fim da tarde à evacuação da aldeia de Cenicientos onde se situava o Posto de Comando Avançado de combate aos incêndios de Madrid e de Ávila. Pelo menos 60.000 pessoas foram já retiradas, estando 28.000 confinadas. Uma pessoa morreu e outras cinco ficaram feridas, num incêndio perto de Valência, no leste de Espanha, anunciou este sábado a câmara municipal de Manises. O incêndio, distinto dos que estão a ocorrer a oeste de Madrid, já foi controlado, informou a autarquia na rede social X.

De acordo com a Guardia Civil, os municípios em torno de Madrid evacuados são Rozas de Puerto Real, Cadalso de los Vidrios, Cenicientos, Urbanización Entrepinos, La Adrada, Piedralaves, Sotillo de la Adrada, Casillas, Santa María del Tiétar, La Iglesuela e Arenas de San Pedro.

Mais de 400 profissionais de emergência estão a trabalhar para conter o incêndio florestal a oeste da capital espanhola, informou a agência de emergências de Madrid, ASEM112, além de 50 unidades terrestres e 12 aéreas, como camiões de bombeiros e helicópteros.

Nas zonas queimadas, a Guardia Civil efetua patrulhas para vigiar eventuais reacendimentos.
O primeiro-ministro Pedro Sanchéz disse este sábado que a situação no terreno continua a ser "complexa", porque não se sabe qual será a evolução do vento, apesar de as temperaturas terem descido.

"A nossa prioridade, o nosso foco, o nosso objetivo é salvaguardar a vida dos cidadãos, proteger os centros populacionais e, em última instância, combater os incêndios", assegurou o líder espanhol durante uma visita ao posto de comando avançado e as zonas afetadas pelo incêndio.

O Governo espanhol alargou hoje à província de Toledo o estado de emergência nacional por causa dos incêndios que está em vigor desde quinta-feira à noite em Madrid e Ávila.
Em Ávila, as chamas afetavam ao fim da tarde de sábado mais de 41.000 hectares. Duas localidades tiveram de ser evacuadas pelas 20h00. 

O chefe da Unidade Militar de Emergência de Espanha diz que as condições climáticas das próximas horas poderão ajudar no combate às chamas.

As condições meteorológicas nas zonas afetadas pelos incêndios em Espanha não deverão contudo dar tréguas nos próximos dias.

Prevê-se que as áreas afetadas pelos incêndios se mantenham quentes e secas, sem chuvas significativas nos próximos dias, o que mantém o risco de incêndios florestais elevado.

A previsão oferece pouco alívio. O calor extremo e o sol persistente deverão regressar na próxima semana, agravando o já crítico risco de incêndios florestais em muitas zonas do país.
Portugal envia força especial para Ávila
Para auxiliar no combate às chamas no país vizinho, Portugal enviou este sábado uma Força Operacional Conjunta (FOCON) para a Província de Ávila, Espanha. A Força integra 128 operacionais daANEPC, da Força Especial de Proteção Civil (FEPC), dos corpos de bombeiros voluntários da Sub-Região de Beiras e Serra da Estrela e da Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS) da Guarda Nacional Republicana (GNR).

Em colaboração com a ANEPC, também o Exército Português fará parte do esforço de auxílio, através do envio de 500 rações de combate da sua reserva.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que 11 aviões e helicópteros da frota de combate aos incêndios foram enviados para França e Espanha para ajudar no combate aos incêndios florestais.

Numa publicação no X, explicou que cinco aviões e dois helicópteros da frota rescEU foram enviados para França, enquanto quatro aviões chegarão a Espanha este sábado.

"Os meus pensamentos estão com os bombeiros que lutam bravamente contra as chamas e com todos os evacuados", acrescentou.
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